No dia 17 de maio (domingo), trabalhadores, vítimas do modelo manicomial e diversos movimentos sociais ocupam as ruas de Curitiba pelo Dia Nacional da Luta Antimanicomial, com marcha, intervenções e atividades culturais em defesa do cuidado em liberdade, do direito à cidade e em denúncia a essa violência.
Com o mote “Saúde se faz na cidade: redução de danos e cuidado em liberdade”, o ato afirma que saúde é uma questão ampla e não se promove com isolamento, mas com decisão política e disputa de orçamento para garantir condições dignas de vida para toda a população. A redução de danos, construída historicamente pelos povos, segue sendo uma das formas mais eficazes de cuidado, pois atua nas condições concretas das pessoas, produz efeitos no longo prazo e fortalece a autonomia. O movimento denuncia a redução da "política de saúde" da cidade ao protocolo de internações involuntárias, enquanto não há investimento na RAPS e no SUAS, responsabilizando o poder público municipal por não garantir direitos básicos como saúde, moradia e acesso à cidade.
O submote do ato, “‘terapêutica’ não. CT é campo de concentração!”, expressa uma denúncia às chamadas comunidades terapêuticas (CTs). Segundo os organizadores, essas instituições operam à margem da lei, sustentando um modelo baseado na coerção, disciplina e controle, frequentemente legitimado por discursos morais e religiosos, acumulando denúncias e, ainda assim, recebendo financiamento público, inclusive por meio de recursos do governo estadual e federal.
Em uma cidade que alaga com a chuva, restringe o acesso à água nas periferias, não investe em pesquisa e oferece trabalhos em condições precárias, como a escala 6x1, o ato reforça que não existe saúde sem condições básicas de existência. Ao mesmo tempo, o debate público é desviado para pautas morais que não mudam a vida do povo trabalhador, enquanto cresce a expulsão de pessoas das regiões centrais, seja pelo argumento da “guerra às drogas”, seja pelo avanço de um projeto de cidade voltado ao lucro, ao turismo e à especulação imobiliária.
A convocação é para que a população se organize e exija seus direitos, afirmando que saúde, moradia e dignidade não são mercadorias e vulnerabilidade não pode ser propaganda eleitoral.
Programação:
A concentração começa às 15h20, na Praça João Cândido (Ruínas de São Francisco), com saída da marcha às 16h20 e intervenções ao longo do percurso. Às 17h, há parada no Largo da Ordem (Bebedouro), com apresentação da Stultifera Companhia de Teatro e do bloco Batucannabis. Às 18h, acontece uma homenagem às vítimas da violência manicomial na Praça de Bolso do Ciclista. O encerramento será às 19h, no mesmo local, com a Festa de Lóke.
Mais informações em @lutaantimanicomialpr e @stultiferacia